Mergulho na vida

Autor: Clodoval de Barros Pereira

Numa madrugada fria,
nas barrancas dum riacho,
eu deslizei para a vida.

E em águas marulhantes,
aromadas de coiranas,
tomei meu primeiro banho.

Muitos setembros passaram
mas meu corpo ainda exala
o cheiro daquelas flores.

E aquela lua imensa
que prateava os campos
não sai da minha retina.

Inda vejo os bacuraus
dançando suas mazurcas
nos terreiros enluarados.

E escuto os sons noturnos
que o silêncio orquestrava
pra amainar a solidão.

Ouço mugidos, farfalhos,
balidos, ranger de galhos,
relinchos do alazão…

E entre espinhos e flores,
vacas, bezerros e ovelhas,
comecei a engatinhar.

Montei cavalos velozes,
corri gado nas encostas,
ordenhei bravas novilhas.

E já seguia o arado
quando avistei uma foice
cruzada por um martelo.

Empunhei de pronto a foice
e fui abrindo uma vereda
para um novo caminhar.

Troquei o pesado arado
pelo martelo e à foice
por achar mais adequado.

E com essas ferramentas
eu continuo trabalhando
um sonho muito sonhado.

Um sonho vindo do povo
que deseja transformar
esse mundo num mais novo.

E é um sonho profundo,
e nesse sonho eu aprendo
como humanizar o mundo.

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