Autor: Clodoval de Barros Pereira
Como afirmei em Carta ao Leitor que postaria neste BLOG tudo o que fosse bom e servisse para dar ênfase às coisas boas da vida, vou postar alguns dos sonetos do pernambucano Milton Alves de Sousa por conterem mensagem, serem tecnicamente perfeitos e temperados com poesia, ingrediente que dá alma ao verso.
Quero deixar claro que o Milton não me autorizou que falasse sobre ele nem que publicasse seus poemas, porém, como sou ousado, não costumo perguntar as pessoas o que devo fazer quando tomo uma iniciativa. Se exagerar no meu intento, respondo pelos excessos e se condenado expio sem reclamação, desde que a pena seja justa.
Portanto, vou começar dizendo que o Milton é advogado e pela sua vasta inteligência é tido como um dos bons no ofício de lidar com as Leis e pelo que se pode concluir, tido indica que estou mexendo com brasa. Mas, o seu saber não vai me intimidar, vou botar para fora um pouco do que sei sobre ele, qualquer exagero cometido recorro ao meu tio Mário de Barros Pereira por conta do parentesco e da amizade existente entre ele e o poeta.
Não devo esconder que o comandante Milton Alves, por sua excelente atuação no comando das aeronaves, já recebeu homenagens na capital paraibana onde foi residir este pernambucano oriundo dos ACCYOLI de BARROS LINS que habitavam os municípios pernambucanos de Rio Formoso, Sirinhaém, Água Preta e Palmares, onde nasceu sua mãe.
Também é bom mencionar que alguns dos seus ancestrais juntaram-se aos Pereiras que viviam, como eles, entre o Cabo de Santo Agostinho em Pernambuco e Porto Calvo, nas Alagoas, e tomaram diversos caminhos entre os quais Arcoverde e Serra Talhada, espalhando-se assim pelos sertões, pelas matas e pelos litorais que iam da Paraíba à Alagoas.
Em Pernambuco, Paraíba e Alagoas, muitos se destacaram como senhores de engenho, políticos e intelectuais, porém lembrarei apenas um jovem muito destemido, conhecido por Senhor Pereira, fruto dessas duas árvores, que ao se envolver em brigas por questões familiares contou com o apoio de outro jovem apelidado por Lampião de quem diziam ainda ser parente. Está bom, vamos parar… Pra que esmiuçar nossas origens?
O Milton não deve gostar de saber dessas coisas, o que o Milton gosta mesmo é de fazer poesia, tocar violão e tomar bons vinhos… Se você falar de um poema dele, ele larga tudo para ouvir sobre sua composição. O Milton me faz lembrar até o Antonio Ermírio de Morais, aquele empresário que tem mais de quarenta fábricas e nem sei quantos mil operários, mas se chega alguém e diz que leu pelo menos um dos seus dois livros, ele larga o telefone, esquece as fábricas, os operários e passa a ouvir o que seu leitor tem a dizer a respeito de sua criação.
Talvez essa tendência tenha alguma coisa, – quem sabe? –, até mesmo inconsciente, com o que disse aquele Jovem cabeludo, de barba em desalinho, a respeito dos bens materiais. Sabe o que Ele disse? Não, não sabe? Ele disse que quando os tesouros não são comidos pela ferrugem ou pela traça, os ladrões levam. Já os tesouros que brotam da alma se perpetuam, porque o que é bom se eterniza.
E para não ir além do que devo, vou fazer uma síntese do que sei. E o que sei é que o Milton é filho de José Alves de Sousa e Maria Olympia de Barros Lins (nome de solteira). O que sei de José Alves é que era um homem inteligente, bom e reto nos seus negócios e por essa razão atraia muita respeitabilidade das pessoas com quem tratava e Maria Olympia, que era minha tia avó, não ficava atrás. Além de ser uma mulher muito bonita, era elegante no trato e tal qual seu marido, também, na maneira de vestir.
Tia Maria preocupava-se com os irmãos, os cunhados, os sobrinhos e com a ajuda do humanista Zé Alves promoviam o bem estar da parentela, inclusive dos Barros Pereira por intermédio da minha avó e da minha bisavó Olympia da Veiga Accyoli de Barros Lins, de quem era filha.
O exposto acima torna evidente que no nome de Milton não consta Accyoli, nem Barros nem Lins, porém seu sangue é uma extensão do sangue dessa gente que tem demonstrado certo pendor pelas letras. Até eu, que não tive meios de estudar, atrevo-me a juntar frases para formar períodos no intuito de falar bem do que é bom ou mal do que é ruim.
Aliás, fui além do que devia e falei coisas que podem até não agradar alguns dos meus familiares. Mas fazer o que? Agora vamos alimentar a alma com os versos que o Poeta escreveu em forma de soneto e untou com a poesia emanada do seu coração para, com ela, demonstrar que o amor jamais deixará de existir entre os bons.
Vamos ler! É poesia pura.
Clodoval de Barros Pereira – Maceió, 11 de setembro de 2011.
CARTA DO POETA MILTON ALVES A CLODOVAL
João Pessoa, PB, 15 se setembro de 2011.
Estimado primo Clodoval de Barros Pereira
Saúde e paz.
Recebi seu e-mail de 11 do corrente, trazendo-me as boas novas que me confortaram o espírito, a alma e o meu sentimento de cristão convicto. Para mim foi comovente esse comentário que me fez você, despretensiosamente, focalizando minha pessoa, meu viver e as realizações que sedimentei no caleidoscópio da vida, como expressão do meu destino e do meu eu enquanto apenas um micro-fragmento do Universo em que nascemos.
Obrigado Clodoval, obrigado mesmo de todo o coração lhe digo, por essa sua luminosa e transparente apologia que me honrará para sempre, embora não me sinta merecedor. De ninguém jamais recebi tanto em tão pouco tempo assim com tanto brilho a realçar meus passos na longa estrada que dia e noite palmilhei. Nela, com o capacete da fé e o escudo da esperança em Deus, venci o mundo até aqui, donde em paz estou a lhe falar.
Bem ! Agora apraz-me felicitá-lo Clodoval. Meus parabéns pelo modo como abriu o seu BLOG – CLODOVAL POEMAS&CRONICAS – no seu contexto e na sua estruturação cultural. Gostei do conteúdo, da sua esquematização, onde tudo denota seu conhecimento técnico e a sua habilidade literária admirável. Sem dúvida, para mim você é um jornalista nato, um cronista e um autodidata cuja fluência nada fica a dever aos que se graduaram nas Universidades do Brasil, porquanto primo, você graduou-se na UNIVERSIDADE DA VIDA, à luz da sua inteligência. Sua facilidade inata de expressão e narrativa deixa-o emparelhado a muitos literatos desta época que vivemos.
Toda essa gama de valorações que estou focalizando, quase como um crítico literário, quero aqui, tempestivamente reparti-la com a sua dedicada esposa TEREZINHA ROCHA DE ALMEIDA. Tive o prazer de ler a obra literária da Dra. Terezinha – AS FACES DO TEMPO, onde fui abeberar-me na fonte da sua brilhante inteligência de escritora, refletida nos seus poemas que dignificam a literatura poética do nosso Brasil.
Peço dividir com Terezinha o meu aplauso e toda a minha estima.
Receba Clodoval, um abraço do seu primo que se aprouve em receber sua significativa homenagem, a qual se estendeu aos meus inesquecíveis e amados PAIS – José Alves de Sousa e Maria Olympia de Sousa; aos nossos antepassados e finalmente a todos da nossa família, no que tange á nossa origem, nosso destino e nossas vidas.
Fraternalmente
Milton Alves de Souza
RESPOSTA DE CLODOVAL A MILTON ALVES
Maceió, AL., 16 de setembro de 2011, — data da emancipação política de Alagoas.
CADA UM DÁ O QUE TEM.
Se esse texto expressar algum sentimento de amor, de antemão, eu gostaria de dedicá-lo à memória de minha tia Maria Olympia de Sousa, em meu nome e em nome de Zeca Barros, um dos sobrinhos que muito lhe estimava.
Meu caro primo Milton Alves,
Espere um pouco, enquanto vasculho a obra do alagoano Aurélio Buarque de Holanda, para ver se encontro algumas palavras que me ajudem a agradecer a elegância com que você se portou, para dizer da gratidão a respeito do que escrevi sobre a beleza dos seus poemas onde evidenciei respeitáveis instantâneos biográficos seus e dos seus familiares, o que me deixou até “em maus lençóis” porque, eles, também, são meus.
Nem precisei dar trabalho ao grande dicionarista, inclusive não sei lidar com o vernáculo o que me dificulta juntar palavras, porém, ciente dos meus limites, não vou além do que contar as histórias da minha vida e da vida dos outros rabiscando textos que costumo chamar de poemas ou crônicas. E, não fossem os ensinamentos que a vida tem me proporcionado garanto que nem a isso eu chegaria.
E tanto é assim que vou tentar encontrar o fio da meada com um dito popular. Ele diz que “cada um dar o que tem.” Quem tem amor, dá amor; quem tem ódio, dá ódio e quem tem dinheiro dá dinheiro. Aliás, dinheiro existe abundantemente, circula de mão em mão e, muito ou pouco, sempre aparece, porém, não se afina muito com o amor nem com a felicidade porque quem se apega demais a ele, torna-se avarento, egoísta e prepotente.
Quanto ao amor e ao ódio são pesos de uma mesma balança e tanto é que nascemos com os dois, contudo aqueles que nascem ou passam a viver entre pessoas que se empenham para que o amor prevaleça sobre o ódio e a avareza pode ter melhor sorte, como foi o seu caso. Você como estudioso da filosofia sabe tanto quanto os demais que um ambiente maléfico pode prejudicar a formação do caráter de uma criança, de um cão, de um cavalo ou até mesmo de uma vaca.
Se alguém, além de você chegar a ler isso, o que poderá acontecer porque vou colocar em nosso BLOG, achará que estou ficando maluco por misturar cachorro, cavalo e vaca com gente. Não, não estou, é que vim do campo, onde aprendi com as pessoas que usam a enxada como ferramenta de trabalho que, tudo o que vive neste Planeta ou fora dele, faz parte da obra do Criador. E isso me leva a crer que a diferença existente entre nós e os animais que chamamos irracionais resultam da aparência física, dos hábitos e dos idiomas. Antes que perguntem se animal fala, vou responder sim!
E o nosso relacionamento com eles se dá por meio de línguas que não são as mesmas, porém, isso nunca foi obstáculo para nossa comunicação, uma vez que o olhar, o carinho, a aspereza dos gestos e a docilidade dos sons emitidos contribuem para os nossos entendimentos.
E disso sei que você entende, pois o vi conversando com Kink Parahiba Areia Dourada, aquele cãozinho Pinscher de sua estimação, para quem, o jornal O NORTE, daí da Paraíba, publicou um poema de sua autoria em 12 de junho de 1992, no qual, dentre outras coisas, você chega a admitir alma aos cães, ao que dou a minha concordância.
E para não pensarem que estou com invencionice vou citar, apenas, a sétima quadra e o décimo terceto com o qual você encerra a peça.
“Há quatro anos que vive
Muita amizade me tem
Se um só desgosto não tive
Só posso lhe querer bemPensando nos cães com calma
È por eles terem alma
Que nos dão lição de amor.”
Pensa que eu não tenho esse poema? Tenho sim e vou colocá-lo em nosso BLOG. Apesar dos meus arquivos não serem implacáveis como os do João Condé, sempre guardo o que me chega às mãos.
Talvez você não se lembre, mas eu conheci o Kink, quando de minha visita à sua casa, aí em João Pessoa, no dia 23 de março de 2002, onde tomamos vinho em companhia de tio Mário, ao som de sua voz e do gemer do seu violão. Nesse dia saboreamos um lauto almoço oferecido por você e sua mulher, a fidalga Donizetti a quem, tardiamente, agradecemos.
E, retomando a minha vida no campo, gostaria de acrescentar que naquela época não existia moeda em circulação entre nós. A vaca nos dava o leite, o cavalo nos conduzia e o cão nos guardava sem nem conhecer a praga do vil metal, aquela que chamamos de dinheiro.
Mas, também, é bom que se diga que entre nós circulava uma coisa muito forte, mais forte do que a moeda entre os humanos; era uma coisa que até entre os homens pode tornar-se poderosa. Sabe qual era essa coisa? Era o amor existente entre as pessoas e os animais.
Se contrariássemos a vaca, ela escondia o leite; se afugentássemos o cavalo, o seu caminhar nos era enfadonho e se faltássemos com o carinho ao cão, ele negligenciava com a nossa guarda.
Essa preleção talvez seja decorrente da minha falta de síntese para agradecer o balaio de pétalas que você jogou sobre mim por eu ter sido verdadeiro ao traçar o seu perfil. Olha, Milton, eu não fui generoso quando sustentei a minha convicção sobre o seu talento poético nem tão pouco quando falei da finura dos seus pais, incluindo a beleza interior e exterior de sua mãe por quem os meus nutriam amor e admiração.
E, apesar de meu pai ter sido um pobre agricultor e criador de animais, nada de material deixou para os filhos a não ser o que ele plantava no coração ou cultivava na alma. Nossa herança foi composta de coisas impalpáveis, sem valor material, somente intrínseco.
Portanto, não causou nenhuma surpresa, ao inventariarmos os dotes herdados e nos deparar com a destacada afeição que ele tinha por esse tronco familiar, especialmente pelo intenso afeto que dedicava a sua tia Maria e ao seu primo, o poeta do qual falo.
Nem preciso salientar que sou cristão de primeira linha, porém, sem apego religioso. Chego até a admitir que se houvesse vivido no tempo que Jesus andou fazendo suas pregações, eu teria feito parte dos seus seguidores com o intuito maior de estender a mão aos desvalidos e maldizer os opressores dos desvalidos.
Se Ele achasse indigna a minha presença junto ao seu grupo, eu pediria que me dotasse do que lhe fez merecedor e partia, ia viver as madrugadas. Eu sei que foi Ele quem lhe ensinou a fazer poemas, cantar, tocar violão, tomar vinho e amar. Amar, indiscriminadamente, tudo o que vive.
E o vinho é um líquido tão delicioso que um poeta apontou como um dos três melhores feitos do Criador, formando o trio com música e mulheres, preciosidades criadas no decorrer dos famosos sete dias.
Bem, tomar vinho eu já tomo, música eu adoro e mulheres, nem preciso falar da devoção que tenho por elas. Mas não sei fazer poemas nem cantar acompanhado por um violão cujas cordas meus dedos tivessem o poder de fazê-las gemer em forma de melodia.
Ah, meu primo, desculpe-me a ambição, mas eu queria uma coisa a mais do que a você foi destinado; eu pediria que Ele me dotasse de asas, porque voando eu seria mais livre do que já sou. E, voando, juntar-me-ia aos pássaros para com eles semear, encher os campos de frutos e de flores sem a preocupação com a colheita ou com o armazenamento, para que todos os viventes fizessem dos trigais o alimento necessário a vida. É assim que os pássaros procedem, não armazenam e, no entanto, vivem belos, fartos e felizes.
Estou estirando demais o texto, talvez porque não encontrei a porta de saída para o fecho do pensamento em elaboração. Mas nem estou aí, o meu amigo, o jornalista Mauro Sélvio sugeriu que eu arregimentasse quem gostasse de letras e imagens para ajudar-me a aguçar o saber e alimentar o espírito dos freqüentadores ou participantes desse espaço.
Oh, Milton, seria bom não finalizar sem fazer ver que, apesar da minha pouca crença e, quase nenhuma religiosidade, sinto a impressão de que apenas estou acionando essas teclas a serviço do pensamento do meu pai que era homem inteligente e de muita fé, porém de poucas letras, assim como eu.
Agora caro poeta, vou encerrar mesmo sem saber se fui eu ou ele quem no início deste texto repetiu o que já é sabido por todos nós, que “cada um dá o que tem.” E a prova da verdade deste dito consiste no que me motivou escrevinhar esse texto. Eu lhe atirei uma cestinha de pétalas, colhidas no correr dos anos, sem atinar que receberia como retribuição um enorme cesto contendo as mais belas flores constituídas das pétalas mais cheirosas que já tive a ventura de aspirar.
Já que insinuei pressentir não ser obra somente minha, receba um duplo abraço com a admiração do primo e amigo,
Clodoval de Barros Pereira
MINHA PAZ
Autor: Milton Alves de Sousa
Já não quero nem lembrar o quanto a vida,
Tantas vezes me feriu nos seus caminhos,
Trocando rosas perfumadas por espinhos,
Na lonjura duma estrada tão comprida !
Só a esperança companheira tão querida,
Foi um bálsamo pras minhas cicatrizes,
Me dando paz nos dias mais felizes,
E os sonhos que me valem de guarida !
A estrada da vida é cheia de percalços,
Mas Deus amparou tanto o meu destino,
Que nela caminhei com os pés descalços;
Hoje feliz a minh´alma se compraz,
Pois da glória de vencer o bom combate,
Só guardei a fé que me trouxe a paz !
VIDA VAZIA ( Nº 3 )
Autor: Milton Alves de Sousa
Quem sorveu um dia o cálice da dor,
Quando embalava seus sonhos com ternura,
Bebeu sorrindo a taça d´amargura,
No altar sagrado do primeiro amor !
E como os anjos no seu esplendor,
Num céu azul de nuvens siderais,
Ela se foi sem nos dizer jamais,
Adeus, com seu afeto e seu calor !
Tal qual o cisne do mais lindo sonho,
Na paz d´um lago rosicler risonho,
Fora feliz ali mas não sabia,
Que no amanhã à luz do sol platino,
De lá veria quanto seu destino,
Tornara sua vida tão vazia !
OS MONTES AZUIS
Autor: Milton Alves de Sousa
Galgar montes escarpados tão azuis,
É como sempre estar subindo para o céu,
Com a alma embevecida pelo véu,
Do esplendor de Deus na sua luz !
Por isso guardo na minh´alma cortesã,
Todas cores desse sonho que desejo,
Na feliz visão de ontem que ´inda vejo,
Quando o sol vem nascendo de mãnhã !
Tantos prados floridos contemplei,
Vendo estrelas cadentes cintilar,
Que a noite mais linda ali passei;
Hoje a saudade da infância que reluz,
É o caminho d´onde vou me alçar,
Pra voar sobre os montes azuis !
Ao meu neto FLÁVIO
Autor: Milton Alves de Sousa
Um dia lá onde nasceu o sol,
Eu vi você ali nascer também,
Como se fosse luz do arrebol,
É a razão porque lhe quero bem !
Seja feliz nas asas do saber,
No amplo campo da Engenharia,
Onde o balanço faz compreender,
Toda dinâmica da Filosofia !
Prossiga no seu vôo condoreiro,
De suas lides regressando ao lar,
Como a águia que pousou primeiro,
Flávio, parabéns por sua formatura,
Edifique sua vida sem causar,
Excesso de peso à estrutura !
UM RELÓGIO
Autor: Milton Alves de Sousa
Ao primo Mário de Barros Pereira
Esse herói de nascimento,
Mário de Barros Pereira,
Jamais em qualquer momento,
Na luta sentiu canseira !
Por isso receba Mário,
Meu aplauso de louvor,
Pelo seu aniversário,
Neste brinde que lhe dou !
O relógio de ACAZ tanto,
Marcou com seu doce encanto,
A hora lenta passar,
Que hoje com meu apreço,
UM RELÓGIO lhe ofereço,
Pra suas horas marcar !
João Pessoa, PB., 28.01.2006
CAMINHOS DA VIDA
Autor: Milton Alves de Sousa
Quando o outono vem soprando ventanias,
Espalhando folhas secas nos caminhos,
Se mais cedo as aves voltam pra seus ninhos,
É prenúncio das chuvas nos seus dias !
Por ser o branco inverno das estepes frias,
Um tempo de paz e de amor tão terno,
Quisera eu ali passar um longo inverno,
Pra viver com todas minhas alegrias !
Já o verão que a tudo faz se ressentir,
As plantas, as flores, e ovelhas no calor,
Até falta d`água traz pra ressequir !
Ressurgindo a natureza então, é primavera,
Mas se nos cíclos do tempo é esplendor,
Nos caminhos da vida é uma quimera !
À poetisa HELENA BELTRÃO
Autor: Milton Alves de Sousa
Como as águas cristalinas de Lindóia,
O teu viver é hoje o templo d´amizade,
Ó doce musa Helena, não de Tróia,
Teus poemas são lampejos de saudade !
Tua juventude que foi toda ansiedade,
Dia e noite ouvindo a voz do coração,
Não ouviu o aplauso da sociedade,
Aos versos de Helena, de Lucena Beltrão !
Na linha azul no horizonte do Universo,
O helenismo do amor que tu sonhaste,
Terá vida cintilante no teu verso;
Se a Grécia antiga hoje a lenda apóia,
Na versão lirial do teu destino,
És mais sublime HELENA que a de Tróia !
HORIZONTE AZUL
Autor: Milton Alves de Sousa
Ó noite ! cobre com teu manto minha esperança,
E guarda em tuas sombras minhas ilusões,
O eterno mundo das minhas paixões,
E berço da minh´alma de criança !
Mercado persa, onde o vento não se cansa,
Numa tenda entre os lírios dum jardim,
Vivemos mil e uma noites que deixaram em mim,
A saudade que inda trago na lembrança !
Ó musa de encanto, poema-luz do desejo,
Porque teu beijo sempre ungia minha boca,
Toda minha vida refulgia no teu beijo;
Hoje no deserto sendo o mesmo beduíno,
Só me resta vislumbrar com ânsia louca,
No horizonte azul da vida, meu destino !
ASAS DE CRISTAL
Autor: Milton Alves de Sousa
Caminho só mas não pude me esquecer,
De que deste ao meu destino novas cores,
E hoje é por isso que te trago flores,
Antes, muito antes do entardecer !
Bendito o céu que traz o anoitecer,
E as aves se recolhem aos seus ninhos,
Com a ternura d´uma noite de carinhos,
Na quietude que precede o amanhecer !
Com asas de cristal cruzei oceanos,
Procurando achar o ninho dos meus sonhos,
E só desertos vi, silêncio, desenganos;
Mas como o fênix que da cinza removida,
Renasceu para dias mais risonhos,
Renasci das sombras para minha vida !
SILÊNCIO
Autor: Milton Alves de Sousa
Saudade ! dissipa a dor que vem da solidão,
Remove hoje todas pedras do caminho,
Faz do viver um festejado ninho,
Entre os lírios encantados de Sião.
Sendo a fé o plasma que renova a vida,
Como as águias se renovam na montanha,
Esperar o amanhã com fé tamanha,
É olvidar a mágoa mais sentida!
Abraçar a noite com intimidade,
É ver de volta os sonhos de outrora,
Voando nas asas da saudade,
Na sombra e na luz em que a vida se refaz,
Nascerá em cores uma nova aurora,
E o resto é silêncio, nada mais …
O GARIMPEIRO
Autor: Milton Alves de Sousa
Fez longo seu caminho no jardim da vida,
O garimpeiro que conheci ainda criança,
Humilde e pobre mas afeito à lida,
Trazia n`alma um rio de esperança !
Sempre na mina dos sonhos livremente,
Dia e noite laborando no escuro,
À luz da chispa vislumbrou contente,
A visão clara de um feliz futuro !
Sem ter um afeto sequer na sua trilha,
De repente achando o ouro que rebrilha,
Prosseguiu a garimpar nos dias seus,
Queria algo precioso em sua vida
Não sendo ouro ou coisa outra definida,
Um dia achou no seu caminho – Deus.
CAMPOS FRIOS
Autor: Milton Alves de Sousa
Que saudades domingueiras,
De Campos Frios no estio,
A horta de bananeiras
No outro lado do rio !
Folhas ao vento, bandeiras,
Nossa jangada fugaz,
De manhã nos leva e traz
Como nas tardes fagueiras !
Junto ao rio cristalino,
A casa de tio Umbelino
Num recanto de beleza,
Qual sonho azul de esperança,
Nossos tempos de criança,
Se foram na correnteza.
ENCANTO DA VIDA
Autor: Milton Alves de Sousa
Quisera ver o inverno das estepes frias,
No silêncio da neve a cobrir os campos,
A secura das árvores como espectros brancos,
E na paz da noite minhas nostalgias !
Não é esse um mundo só de alegrias,
Nem de sonhos, de ilusões e de desejos,
É a branca paisagem sob o som d´arpejos,
Transbordando n´alma suas fantasias !
Mas se a geada passa e a neve se desfaz,
Vem o sol da primavera com a saudade que me traz,
A lembrança dum amor que ainda vive;
E o trinar dos pássaros ao nascer das flores,
É a voz da primavera, meus amores,
No encanto da vida que já tive !
PORTO AZUL DO MEU DESTINO
Autor: Milton Alves de Sousa
Pelos mares da vida, quando navegaste
Nas brumas da noite, nos escolhos,
No auge das procelas me chamaste
Prá seguir contigo nos abrolhos !
Feliz eu vi minh`alma nos teus olhos,
Eu que há muito velejava em solidão,
Te amparei na travessia dos escolhos,
Te abriguei e te guardei no coração !
E seguimos nosso rumo verdadeiro,
Eu e tu no mesmo barco navegando
Sob o céu que nos viu chegar primeiro;
Porém hoje ancorando calmamente
No longínquo porto azul do meu destino,
Viveremos prá nos mesmos tão somente !
PÁSSARO DE LUZ
Autor: Milton Alves de Sousa
Audaz nasceste alado à luz da eternidade
Do infinito azul do céu em que voavas,
Feliz a deslizar na sideralidade
Do esplendor do cosmos que singravas !
E eu me vejo em ti quando tu cantavas
Ó pássaro de luz, um hino à natureza,
Ruflando as asas com que adejavas
Na amplidão etérea do azul turquesa !
Quem foi que assim cruel te fez prisioneiro,
Sem poder mais soltar as asas na amplidão
Com teu belo canto, livre e altaneiro ?
Foi o mesmo destino que hoje a mim conduz
Em cadeias preso e triste como teu irmão,
Longe do céu e de ti, – pássaro de luz.
NA PAZ DA SOLIDÃO
Autor: Milton Alves de Sousa
Solidão ! Não és o monstro cruel que apavora,
Nem tens o mal que tanta gente diz haver
Na tua sina que fere, que devora,
Quem nunca teve amor, – um bem-querer !
No deserto onde mora a soledade,
Minha paz encontrei já definida,
Nos sonhos que sonhei e na saudade
Do amor, razão maior da nossa vida,
Não sendo triste, como agora digo,
Logo fiz toda a ilusão adormecer,
A fim de nunca mais tê-la comigo;
Mas contemplando em Deus a perfeição,
Da crueldade do mundo me esqueci,
Pra ser feliz na paz da solidão !
SONHO DE AMOR
Autor: Milton Alves de Sousa
Vive tua sorte assim tão decantada
Pelo vate que habita tua consciência,
Esse vil fantasma rude, sem clemência,
Que hoje traz tu ´alma encarcerada !
Quando na vida me deste pousada,
Tarde, agasalhei-me em tua solidão,
Pra mim suave, triste, mas iluminada
Pela ternura imensa do teu coração !
Daquela noite calma, num feliz recanto,
Em que brindamos com vinho nossa paz,
Teu beijo guardo como doce encanto;
Mas como tudo foi apenas fantasia,
Por tua causa sei que eu não terei jamais,
Aquele sonho de amor que eu vivi um dia !
João Pessoa, PB, (Em 20/01/2007)
B A L A L A Y K A
Autor: Milton Alves de Sousa
Após a feliz noite azul e linda,
O outro dia já nasceu sem flores;
O que passou eu me recordo ainda,
Um riso, a luz, um beijo, meus amores.
Longe de mim, dos olhos e do coração,
Aquele dia de tristeza nunca mais,
Traga a dor da cruel ingratidão,
A estraçalhar meu coração, jamais!
No café BALALAYKA, num cantinho,
Do amor nós dois ouvimos sua voz,
Nas taças de cristal do nosso VINHO,
A NOITE É UMA CRIANÇA, disse alguém
Num falar de cigano para nós,
E tu rias feliz e eu também.
À DONIZETTI, – minha esposa.
Autor: Milton Alves de Sousa
Do deserto da vida aonde nasci,
No rigor da mais longa travessia,
Trago em mim a luz do mundo que vivi,
Na miragem da minha fantasia.
Vinte e oito de março, não me esqueço
Do sonho que guardei num relicário,
E que neste dia te ofereço,
Como presente de aniversário !
Guarda contigo esta íntima lembrança,
Dos tempos que se foram na bonança,
Como restos coloridos de confete,
Guarda pois, de tudo que restou,
Entre as flores a saudade que ficou,
Gravada com teu nome – DONIZETTI.
À LÚCIA, minha filha
Autor: Milton Alves de Sousa
Quando o sol dourado neste dia de bonança
Ressurgiu, você com ele renasceu também,
Não perca nunca sua alma de criança,
Com a paz, o amor e a ternura que ela tem.
Nova vida, novos sonhos, – é o que lhe convém,
Vá vivendo assim, sempre em Deus com esperança,
Pois é Nele que se colhe todo o bem,
Prá ser feliz como nos tempos de criança.
Quando a noite cai sobre a luz que alumia,
Todos sentimos o crepúsculo da saudade,
Não tema Lúcia, durma sempre com alegria,
O amanhã virá como numa fantasia,
Com a luz da primavera em claridade,
E com flores, novos sonhos, novo dia.
João Pessoa, PB, 26-04-2007
NORDESTE SOFRIDO
Autor: Milton Alves de Sousa
Ó nordeste tão queimado, ó nordeste tão premido
Pelos estios da seca, pelo fogo do sertão
Onde a vida atribulada, do sertanejo sofrido
Apelando para o céu, faz cortar o coração
As chuvas que tardam tanto, o inverno que não vem
Dão mais vida á esperança, ao sentimento contido
Na alma do sertanejo, que sempre deseja o bem
Um alento de bonança, para o nordeste sofrido
Não sente falta da luz, porque esta o sol lhe traz
Mas sente falta da chuva, que gera fartura e paz
O filho do sertanejo, nesse recanto nascido
Com fervor pedindo a Deus, pelo sertão ressequido
Vendo o gado caminhar, sobre a terra calcinada
Contrito fica a esperar, os dias da invernada.
A VOZ DO SILÊNCIO
Autor: Milton Alves de Sousa
Sou a voz do silêncio, sou a voz do nada
Disse um viajor de um mundo inexistente
Vou trazer o passado para o meu presente
E com ele florir a minha caminhada
Este arpejo em menor de lira preservada
Não é um adeus nem a minha despedida
Nem o canto do cisne desta vida
É o som dos meus passos na estrada
Seguirei assim no meu viver incerto
Tal qual JESUS nas noites do deserto
Sem amparo dum abrigo que aqueça
Viverei com meus sonhos do passado
E enfim só com eles abraçado
Terei onde reclinar minha cabeça.
GOTAS DE LUZ
Autor: Milton Alves de Sousa
Sobre a relva fria cheia de espinhos,
nos meus sonhos de criança refletindo,
Vi gotas de luz do céu azul caindo,
Clareado à noite meus caminhos.
E com todos os anjos me seguindo,
As ilusões que me deram esperança
Preservaram minh’alma de criança
Pra viver em mim sempre sorrindo !
Do meu passado lembro algumas cenas,
coloridas pelos sonhos que sonhei,
Nas noites de estrelas e falenas.
Viver assim é ter a vida que reluz,
Qual pirilampo vindo nas alturas,
Do céu caindo em gotas de luz !