A Amazônia é nossa, só nossa

Comentários: Clodoval de Barros Pereira

     Essa matéria foi originalmente divulgada por Marcelo Bastos e é datada de 08 de julho de 2011. Ele fala que ela não foi publicada por razões óbvias. Por desconhecermos essas razões nos atreveremos a publicá-la nesse modesto blog onde a verdade não deixará de predominar sobre a mentira nem o bem sobre o mal.

     Agora é bom que se acrescente que se não fosse por intermédio da universitária alagoana Beatriz de Gusmão Cavalcante, uma das destacadas funcionárias da FÊNIX –PAPELARIA E INFORMÁTICA, uma empresa sediada em Maceió, que incentiva a divulgação das coisas boas, esse culto a coragem de falar talvez não chegasse às minhas mãos.

     Eu me confesso grato a Beatriz por me fornecer tão importante documento, pois não é todo dia que se encontra um homem da sabedoria do senador Cristovam Buarque respondendo aos poderosos do mundo sem negacear nenhuma das 25 letras do nosso alfabeto.

     Engraçado que antes de começar o que queria fui atraído por um detalhe que me despertou sobre o entrelaçamento das famílias aqui no nordeste. É o seguinte: o Cristovam Buarque, não é de Gusmão, uma vez que a maioria de Buarque aqui o é. Ele é Cavalcanti, enquanto a Beatriz é Gusmão e não é Buarque, mas é Cavalcante como o Cristovam.

     Como se vê, a Beatriz tem Gusmão sem ter Buarque, fruto dos entrelaçamentos familiares. Buarque de Gusmão é sobrenome de uma família originária dos belos litorais estendidos entre o norte alagoano e sul pernambucano, conhecida pelo seu culto a verdade e ao saber e tanto o é que o Cristovam não fugiu a audácia nem a coragem que caracteriza a gente nordestina.
E para não conversar muito, não lhe deixar de água na boca, a espera do tão decantado e saboroso prato verbal, vou transcrever abaixo as respostas dadas por Cristovam em um debate acontecido numa Universidade dos Estados Unidos da América do Norte.

     Ao ser perguntado por um estudante americano sobre o que o nosso senador pensava a respeito da internacionalização da Amazônia, com a advertência de que esperava que a resposta viesse de um humanista, tal qual era o Cristovam, e não de um senador brasileiro, o nosso patrício não pestanejou.

     Vejamos a resposta do humanista que não foi somente corajosa, foi repleta de ensinamento e sabedoria.

     “De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

     Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

     Se a Amazônia, sob a ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso aquele quadro deveria ser internacionalizado.

     Durante esse encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos Estados Unidos da América. Por isso eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

     Se os estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos Estados Unidos. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

     Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e ir à escola. Internacionalizemos as crianças, tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

     Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!”

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