Autor: Clodoval de Barros Pereira
Sobre os meus ombros nus
conduzo um fardo pesado
com destroços de esperança
e sonhos despedaçados.
Por ser agreste o caminho
sinto o corpo cansado,
as pernas bastante torpes
e os pés estropiados.
A estrada se faz longa,
não antevejo seu fim,
mas venço cada obstáculo,
sempre caminhei assim.
E nunca andei lamentando,
nem gemi, as vezes impei
e por mais que o fardo pese,
dele nunca reclamei.
Se escorrego, soergo-me
e se tropeço ou tombo
seguro firme o meu fardo
embora esfole meu lombo.