Autor: Clodoval de Barros Pereira
A tarde estava ensolarada e calorenta, mas a brisa corria fresca sobre a minha face sombreada pela folhagem da mangueira que farfalhava ao soprar do vento.
Autor: Clodoval de Barros Pereira
A tarde estava ensolarada e calorenta, mas a brisa corria fresca sobre a minha face sombreada pela folhagem da mangueira que farfalhava ao soprar do vento.
Autor: Clodoval de Barros Pereira
À estimada companheira, Professora Maria Alba Correia, estas linhas acompanhadas da minha profunda admiração por sua luta em favor dos oprimidos.
Se o dia de ontem não me foi agradável, provavelmente, o de hoje não será tão favorável, por isso vou ficar recolhido à clausura da minha moradia onde posso repensar os acontecimentos. É nela que refaço as energias para os embates em favor da causa dos oprimidos.
Autor: Clodoval de Barros Pereira
Assim que o dia começava a clarear, eu e meus irmãos pulávamos da cama e seguíamos meu pai em direção ao curral onde ele ia tirar o leite das vacas. Cada filho levava um copo com um pouco de mel de abelha para misturar ao leite cru que tomávamos morninho, tirado na hora do peito da vaca.
Foi com ele que aprendemos apalpar, carinhosamente, as tetas das enormes fêmeas para que elas soltassem o precioso líquido que nos servia de alimento. Nessa época, beirando os 13 anos, eu era um garoto raquítico, de crescimento retardado, mesmo assim já sabia laçar uma rês, montar num cavalo e correr gado. Sabia até empunhar uma foice, uma enxada e até mesmo um revolver, uma espingarda ou um rifle 44, coisas corriqueiras àquela época naquelas brenhas.
Autor: Clodoval de Barros Pereira
Em cada batalha vencida ressurge você. E você não está aqui. As subidas e descidas da ladeira de pedra, sol a pino ou em noites de trovoadas… O saco com búzios mal cheirosos. O trabalho com o verniz e a cola, químicas milagrosas que transformavam as conchas reluzentes em jóias de arte.
Recordo as histórias do seu povo, dos seus heróis e mártires, da sua vida. Você me contava e eu as reproduzia para os vizinhos. Eles adoravam…
Autor: Clodoval de Barros Pereira
As mulheres bonitas parecem não ter paz, todo mundo quer ficar perto delas. E Vicentina jamais seria exceção. Corpo esbelto, rosto angelical e um olhar que ao misturar-se ao sorriso derramava tanta ternura que alumbrava qualquer vivente. Ainda não me esqueci do dia que, casualmente, nos conhecemos. E deve ter sido a mistura desse olhar com esse sorriso que me deixou inebriado, ao sentir sua mão firme apertando a minha enquanto sua voz melodiosa se fazia apresentar:
– Eu sou Vicentina.
– Oh, Vicentina, eu sou Chicau.
Autor: Clodoval de Barros Pereira
Por ingenuidade ou despreparo para enfrentar os embates que a vida nos apresenta, costumamos atribuir nossos fracassos, ou acidentes que poderiam ser evitados, à fatalidade.
Acho que devemos isentá-la da culpa de nossas imprudências, penalizando-nos pelo mau que causamos aos outros e pelos tombos que levamos em decorrência dos nossos descuidos.
Autor: Clodoval de Barros Pereira
À guerrilheira Lúcia Maria de Souza
e aos que com ela tombaram,
a reafirmação da minha comunhão
de pensamento.
Nas barrancas do Araguaia
os guerrilheiros araram
a terra ensangüentada
e plantaram na floresta
uma semente de amor.
Autor: Clodoval de Barros Pereira
Para o mano Jurandir de Barros Pereira, vaqueiro dos melhores.
O engenho Ouro Preto era como se fosse um País, tinha comércio, pecuária, agricultura e uma porção de coisas. Gado tinha para mais de mil cabeças; ovelhas, umas quinhentas e cavalos de cela e cangalha, uns quarenta. Seu proprietário que também era conhecido como o major Salu do engenho Ouro Preto não se descuidava da vacinação do seu rebanho. E essa vacinação, para nós que vivíamos longe dos folguedos da cidade, era uma diversão. Tanger o gado para o curral, laçar, pegar a mão e derrubar ágeis novilhos transformava-se numa festa que alegrava e excitava a todos, inclusive os moradores das fazendas vizinhas que vinham assistir o trabalho dos destemidos vaqueiros.
Autor: Clodoval de Barros Pereira
No meu estômago vazio,
muita dor, muita azia,
o cigarro e o conhaque
não trouxeram serventia.
E nos meus olhos tostados
pelo sol que faz verão,
as imagens da miséria,
da vida na opressão.
Autor: Clodoval de Barros Pereira
Sempre que conversava com o meu tio Alexandrino a respeito de homens afortunados ele apontava o seu tio Salustiano de Barros Lins, proprietário do engenho Ouro Preto, como um dos homens mais ricos que havia conhecido. Achando um despropósito, eu contestava:
– Ah, isso não! E Henry Ford? E Matarazzo?