A dor do mundo

Autor: Clodoval de Barros Pereira

No meu estômago vazio,
muita dor, muita azia,
o cigarro e o conhaque
não trouxeram serventia.

E nos meus olhos tostados
pelo sol que faz verão,
as imagens da miséria,
da vida na opressão.

Nas mãos, as marcas visíveis
de cortes, calosidades,
que trago de muito longe,
ainda de tenra idade.

Já nos pés estropiados
por tão longa caminhada,
trago poeira e lama
dos buracos das estradas.

E no coração sofrido
armazeno a dor do mundo,
a que fez de mim um rebelde
com sentimento profundo.

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