Bombeiros, seres divinos

     Essa crônica foi publicada no Boletim Geral Ostensivo nº. 003, do CORPO DE BOMBEIROS DO ESTADO DE ALAGOAS,de 06 de janeiro de 2010, conforme se ler abaixo:

1. ESTADO DE ALAGOAS
SECRETARIA DE ESTADO DA DEFESA SOCIAL
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR

BOLETIM GERAL OSTENSIVO Nº. 003 – MACEIÓ, 06 DE JANEIRO DE 2010.
PARA CONHECIMENTO E EXECUÇÃO NESTE CORPO, PUBLICO O SEGUINTE:
UNIFORME: EXPEDIENTE: 3º “C”
S. TRANSCRIÇÃO DE DOCUMENTO:
ORIGEM: BOMBEIROS, SERES DIVINO

(…)
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Ninguém foge ao destino

Autor: Clodoval de Barros Pereira

 

 post35-02Sempre gostei de falar das terras por onde andei, das palhoças que pousei, de todo o meu caminhar. E isso me fez lembrar um lugar paradisíaco, onde encontrei uma garota que era bela e viçosa como as flores silvestres que embelezavam as pastagens regadas pelo riacho que pelo vale corria.

Essa garota cheirava as rosas, as açucenas e quando ela falava, sua voz era tão sonora que se chegava a pensar que fosse uma sinfonia. E tinha um canto suave, era tanta a melodia que lembrava o uirapuru ou o nosso sabiá cantando nas matas das cercanias.

E se esboçasse um sorriso cativava o vivente por mais feroz que ele fosse. Essa garota cresceu, tornou-se moça, mulher, sem deixar de ser bonita nem um instante sequer. E pra completar a obra, o mesmo Deus que a criou colocou essa menina em um vale tão florido que parecia escolhido somente para o amor.

E ainda orquestrou mugidos, balidos e cantos de galos pra lhe conter a tensões que o instinto gerava. Esqueceu o Criador que as mulheres bonitas são como as aves canoras, passam a vida fugindo para escapar das gaiolas, sejam elas imaginárias ou até mesmo reais, feitas com talas de ouro pra não acabar jamais…

E também têm as algemas encravadas com brilhantes que não lhes deixam voar pelos vales verdejantes, onde existem falcões com bicos fortes e cortantes, capazes de romper grilhões sem demorar um instante só pra ver as fêmeas livres galopando no o horizonte.

post35-01Se no meu bico não tinha nada que fosse cortante e nem meu corpo exibia a plumagem esvoaçante, a menina ergueu voo, deixou o vale pujante, foi pousar em um lugar repleto de armadilha e de perigo constante. Nunca mais campo florido, deixou riachos e cascatas pra viver numa gaiola feita de ouro e de prata.

Não lhe contei mais histórias, não lhe fiz mais poesias, o meu canto emudeceu e o dela ninguém ouvia. Era um silêncio tão grande que nem o sino plangia quando o badalo batia.

Não mais escutei sua voz, muito menos ela a minha. Como iríamos escutar se eu nunca lhe disse nada nem ela a mim dizia…

Se não fui ao seu encontro porque aceno eu não via. Aprisionaram a mulher numa cadeia com grades tão invisíveis que nem mesmo ela via. E ergueram ao seu redor um muro imaginário que a cada dia subia, mas se ela me acenasse eu derrubava o muro para a nossa alegria.

O muro nem era muro, tanto é que ninguém via, era uma coisa inventada pela aristocracia, pelos senhores da terra, por gente da burguesia, pra sustentar um amor que nem paixão existia. Era um querer sem querer, um verso sem poesia, uma noite sem estrelas, um por do sol sem magia.

Eu só concebo o amor regido por uma paixão, que não seja encabrestada com canga e nem grilhão, porque o amor só perdura se nutrido com afeição.

Eu também não acenei, e por achar impossível deter quem vôo já erguia, fiz como condor rebelde que bate asas e voa ruminando a tristeza que do vale eu conduzia… Por não ter rota traçada, sobrevoei muitos mundos resistindo à solidão como resistem as águias sem rumo e sem companhia.

post35-03

Perdemos de voar céus, viver noites musicadas pelos galos que cantavam ao surgir da madrugada. Para se viver a vida é preciso muita argúcia, nunca foi fácil fugir; impossível desviar das tocaias espalhadas pelas curvas das estradas. Elas são tantas, são tantas, que é difícil escapar…

Até eu, pássaro cabreiro, arguto como uma águia, já entrei em armadilhas mesmo já tendo voado por entre ninhos de estrelas, galáxias desconhecidas e mundos nunca sonhados…

E se ao destino ninguém foge, não sou eu que vou fugir.

Se o meu canto lembrar, o canto de um uirapuru eu vou tentar imitar. Esse pássaro quando canta, é tanta a maviosidade que a floresta emudece para que todos escutem em silêncio o seu cantar. Vou cantar, se ela ouvir, pode erguer voo pra cá.

O destino nunca susta o que foi determinado, tanto é que venho trilhando caminhos nunca traçados e sigo como aqueles que não vão que são levados. E assim eu vou andando, nem ao menos olho de lado, se o destino existe lhe atribuo o resultado. Uns falam que é mistério, outros que é fantasia e eu… Eu não digo nada porque não adianta rodeios, mesmo que haja intervalo, geralmente, o rumo já está traçado.

Bem o disse o escritor José Américo de Almeida em seu livro OCASOS DE SANGUE ao comentar seu pressentimento quando do assassinato em Recife do governante paraibano João Pessoa. Ele insinuou que não acreditar no destino, contudo,

“quando algo está para acontecer se apresenta como coisa muito forte.”

 post35-04

O que não posso esconder é que revi a garota, aliás, hoje mulher, e observei que nela nada mudou. Nem a voz, nem a beleza. Até o sotaque caipira, sonoro e carinhoso continua como sempre… E as rugas que se fizeram em seu rosto não alteraram seu semblante.

As rugas nem sempre enfeiam a beleza, às vezes servem para torná-la mais solene, pois, não fossem as ondas a enrugar a superfície dos mares, talvez, não seriam tão belos como se apresentam.

É o rolar das ondas enrugando as águas que alimenta o fascínio de quem fica diante do mar meditando sobre os mistérios existentes nas profundezas das almas e dos mares.

E como as ondas, a vida também rola e, enquanto a minha se move, eu sonho e medito sobre o adágio que parece uma sentença:

Ninguém foge ao destino.

Um senhor de engenho

Autor: Clodoval de Barros Pereira

    Nas conversas com o meu tio Alexandrino a respeito de homens afortunados ele sempre apontava o seu tio Salustiano de Barros Lins, proprietário do engenho Ouro Preto, como um dos homens mais ricos que havia conhecido. Achando um despropósito, eu contestava:

– Ah, isso não! E Henry Ford? E Matarazzo?

– São uns mendigos comparados ao major Salu. Seus empregados vivem de bolsas penduradas nos braços comprando mengalhos para ele comer. O meu tio não! O meu só compra sal, o resto ele produz em sua propriedade e da melhor qualidade. É isso o que eu considero riqueza. Nunca vi crise que cruzasse as porteiras que dão acesso ao seu engenho.

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Lembrando amigos

Autor: Clodoval de Barros Pereira

     Washington Cavalcanti de Albuquerque Lacerda andou telefonando para saber como eu estava de saúde. Ora, a minha saúde está ótima! É que, segundo Washington, corria lá pelas bandas das Alagoas, de onde sou oriundo, que eu “estava nas últimas,” aqui, em um hospital de Brasília.

     Nada disso é verdadeiro. Washington deve saber que, como ele mesmo costuma dizer, “isso é conversa da oposição.” Até hoje tenho sido duro na queda, não sei se, de amanhã por diante, continuarei sendo. Como a Fênix, tenho ressurgido das cinzas e cada vez que ressurjo vivo mais alguns anos; não 500 como a bela ave, pois, segundo Ovídio, ela se alimenta de incenso, raízes cheirosas e óleos de bálsamo, enquanto eu, criatura de parcos recursos, alimento-me, apenas, de raízes idênticas aquelas que o meu amigo cultiva em sua fazenda Embiribas e Heliópolis, onde, quem sabe? ― também deve ter erguido o Templo do Deus Sol.

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Um dia, a tristeza

Comentário: Clodoval de Barros Pereira

Vou postar um poema que vem após esse comentário, quem o escreveu foi Antônio de Barros Pereira, chamado carinhosamente de Toinho. Esse poeta era meu tio e irmão do meu pai José de Barros Pereira a quem chamavam de Zeca. Devo acrescentar que da verve de Toinho saíram belos poemas que falavam da dureza da vida e da beleza do amor. E como a maioria dos poetas, era um homem apaixonado e ai de quem não o é… Infelizmente toda a sua criação foi destruída e a humanidade perdeu de beber na fonte da sabedoria de um homem de poucas letras, porém de muito saber.

post31-01
Toinho Barros

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Triângulo das águas

Comentários: Clodoval de Barros Pereira

     No tempo que eu vivia lidando com gado nos arredores da Vila Princesa do Vale, conheci a fazenda Triângulo das Águas, situada acima da confluência do rio Camaragibe com um de menor porte que desce pelo Vale da Pelada. Esse nome lhe fora dado por ser cantada como a mais bela das fazendas daquela região e por situar-se na confluência dos dois rios.

     Mariano herdara Triângulo das Águas depois da morte de seu pai, o velho Julião. Algumas gerações haviam passado pela terra generosa e se alimentado dos frutos que dela brotava. Era um bem de família que vinha passando de geração para geração.

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A Amazônia é nossa, só nossa

Comentários: Clodoval de Barros Pereira

     Essa matéria foi originalmente divulgada por Marcelo Bastos e é datada de 08 de julho de 2011. Ele fala que ela não foi publicada por razões óbvias. Por desconhecermos essas razões nos atreveremos a publicá-la nesse modesto blog onde a verdade não deixará de predominar sobre a mentira nem o bem sobre o mal.

     Agora é bom que se acrescente que se não fosse por intermédio da universitária alagoana Beatriz de Gusmão Cavalcante, uma das destacadas funcionárias da FÊNIX –PAPELARIA E INFORMÁTICA, uma empresa sediada em Maceió, que incentiva a divulgação das coisas boas, esse culto a coragem de falar talvez não chegasse às minhas mãos.

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Nas pegadas dos Barros Pereira

Autor: Clodoval de Barros Pereira

     Por intermédio de familiares tomei conhecimento que o meu avô paterno Umbelino Victoriano Pereira fora trazido de Portugal para o Brasil nos idos de 1870. Contava ele meses de idade quando deixara a cidade do Porto para cruzar o atlântico num vapor, junto a outros parentes, sob o comando dos seus pais, os portugueses Miguel Luiz Pereira e Ana Maria Pereira.

     Conta tio Mário de Barros que quando menino ouvia os tios comentarem sobre a viagem do seu avô e que um dos comentários se referia a uma sugestão que um passageiro fizera a Miguel Pereira no sentido de aplicar uma meizinha em um ferimento existente no nariz de um dos seus filhos.

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Abre-se uma nova porta na comunicação de Alagoas

Autor: Clodoval de Barros Pereira

     Apresento-lhes a nova revista que irá circular na capital e interior do estado, brevemente. Trata-se da VOZ DE ALAGOAS, composta inicialmente por 28 páginas em policromia, edição de 10.000 exemplares, e dirigida por Clodoval de Barros Pereira (Escritor e Empresário no ramo da papelaria e informática) e o jornalista Mauro Sélvio Barbosa de Melo.

post24-01

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