Lembrando amigos

Autor: Clodoval de Barros Pereira

     Washington Cavalcanti de Albuquerque Lacerda andou telefonando para saber como eu estava de saúde. Ora, a minha saúde está ótima! É que, segundo Washington, corria lá pelas bandas das Alagoas, de onde sou oriundo, que eu “estava nas últimas,” aqui, em um hospital de Brasília.

     Nada disso é verdadeiro. Washington deve saber que, como ele mesmo costuma dizer, “isso é conversa da oposição.” Até hoje tenho sido duro na queda, não sei se, de amanhã por diante, continuarei sendo. Como a Fênix, tenho ressurgido das cinzas e cada vez que ressurjo vivo mais alguns anos; não 500 como a bela ave, pois, segundo Ovídio, ela se alimenta de incenso, raízes cheirosas e óleos de bálsamo, enquanto eu, criatura de parcos recursos, alimento-me, apenas, de raízes idênticas aquelas que o meu amigo cultiva em sua fazenda Embiribas e Heliópolis, onde, quem sabe? ― também deve ter erguido o Templo do Deus Sol.

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Um dia, a tristeza

Comentário: Clodoval de Barros Pereira

Vou postar um poema que vem após esse comentário, quem o escreveu foi Antônio de Barros Pereira, chamado carinhosamente de Toinho. Esse poeta era meu tio e irmão do meu pai José de Barros Pereira a quem chamavam de Zeca. Devo acrescentar que da verve de Toinho saíram belos poemas que falavam da dureza da vida e da beleza do amor. E como a maioria dos poetas, era um homem apaixonado e ai de quem não o é… Infelizmente toda a sua criação foi destruída e a humanidade perdeu de beber na fonte da sabedoria de um homem de poucas letras, porém de muito saber.

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Toinho Barros

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Inesquecível Rômulo

Autor: Mário de Barros Pereira

Ao inesquecível Rômulo Ramalho com a eterna saudade do seu avô.

     Você fugiu da vida como se ela fosse somente sua; como se ela não pertencesse também a outras pessoas que tanto lhe amavam e continuam lhe amando e que necessitavam do se convívio.

     Você, com seu espírito alegre, vivendo intensamente, com a mente sadia e a alma cheia de sonhos, transmitindo alegria e entusiasmo a todos nós.

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Pedro, o seresteiro encantador

A matéria que posto abaixo é de autoria do meu Tio Mário, poeta e cronista dos melhores. Ele escreveu um poema dedicado ao seu irmão Pedro de Barros Pereira um jovem boêmio que muito cedo foi arrebatado das serenatas que se estendiam até o amanhecer. Eis o que o poeta disse sobre o mano, o mano a quem muito queria bem:

Autor: Mário de Barros Pereira

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Pedro (de gravata borboleta) e o irmão, Mário

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Sonetos de Milton Alves de Sousa

Autor: Clodoval de Barros Pereira

     Como afirmei em Carta ao Leitor que postaria neste BLOG tudo o que fosse bom e servisse para dar ênfase às coisas boas da vida, vou postar alguns dos sonetos do pernambucano Milton Alves de Sousa por conterem mensagem, serem tecnicamente perfeitos e temperados com poesia, ingrediente que dá alma ao verso.

     Quero deixar claro que o Milton não me autorizou que falasse sobre ele nem que publicasse seus poemas, porém, como sou ousado, não costumo perguntar as pessoas o que devo fazer quando tomo uma iniciativa. Se exagerar no meu intento, respondo pelos excessos e se condenado expio sem reclamação, desde que a pena seja justa.

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A grande travessia

Autor: Clodoval de Barros Pereira

Aos que a mim foram ligados por laços de sangue, ideologia ou amizade e chegaram primeiro que eu ao outro lado do túnel, afirmo que me deixaram menor porque levaram consigo pedaços da minha vida e da minha alma, e aos que continuam caminhando ao meu lado, a exemplo do meu tio Mário de Barros Pereira, que há 95 anos caminha com a mesma destreza dos primeiros passos, o meu eterno companheirismo.

     Noutras ocasiões falei dos meus pés estropiados amassando relvas na tentativa de abrir uma vereda que me levasse a um lugar onde fosse possível permutar a minha força de trabalho por um salário que desse para comprar o alimento necessário ao desenvolvimento do meu corpo e que contribuísse para salvar o meu cérebro do processo de embotamento causado pelo processo que o Médico Josué de Castro, em seu livro Biografia da Fome, chamou de autofagia ou fome oculta.

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