Vacina e apartação

Autor: Clodoval de Barros Pereira

Para o mano Jurandir de Barros Pereira, vaqueiro dos melhores.

     O engenho Ouro Preto era como se fosse um País, tinha comércio, pecuária, agricultura e uma porção de coisas. Gado tinha para mais de mil cabeças; ovelhas, umas quinhentas e cavalos de cela e cangalha, uns quarenta. Seu proprietário que também era conhecido como o major Salu do engenho Ouro Preto não se descuidava da vacinação do seu rebanho. E essa vacinação, para nós que vivíamos longe dos folguedos da cidade, era uma diversão. Tanger o gado para o curral, laçar, pegar a mão e derrubar ágeis novilhos transformava-se numa festa que alegrava e excitava a todos, inclusive os moradores das fazendas vizinhas que vinham assistir o trabalho dos destemidos vaqueiros.

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Era assim que eu vivia

Autor: Clodoval de Barros Pereira

post03-01

     Ninguém ignora que no Serviço Público poucas vagas sobram para os filhos da gente espoliada, a não ser de Gari, para varrer ruas, recolher lixos ou outras funções menos atraentes. Os cargos ou empregos mais vantajosos são criados para a parentela desses mandões. O que sobra, ou melhor, o que eles rejeitam, são destinados à ‘cabroeira’ de quem emana, por ignorância ou subserviência, o poder que esses oportunistas exercem.

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