Autor: Clodoval de Barros Pereira
Meu pai costumava se referir com especial carinho a sua avó Olímpia da Veiga Figueiredo Accioly de Barros Lins a quem ele e seus irmãos chamavam de Dindinha.
Segundo ele e meus tios, Olímpia era uma mulher bonita, trabalhadora, corajosa e de muita fibra. Casara com Umbelino Accioly de Barros Lins, como ela, integrante de famílias vindas de Portugal. Essa gente se espalhava por Cabo de Santo Agostinho, Sirinhaém, Rio Formoso, Barreiros e Porto Calvo para onde já havia vindo Cristovam Linz. Essa gente começou a se misturar com os Pereira, os Vasconcelos, os Buarque de Holanda e Albuquerque e passando a desenvolver, como eles, as atividades peculiares à região, ou seja, o Comércio e a Agricultura.
Olímpia da Veiga Accioly de Barros Lins
Umbelino e Olímpia tornaram-se senhores de engenho no município de Rio Formoso, em Pernambuco. Seu marido, por parte de Accioly descendia de italianos; de Barros, dos portugueses, enquanto Linz era de origem alemã. Radicados em Portugal, começaram a emigrar para o Brasil lá pelos anos de 1.600. Com o correr do tempo o Linz foi se aportuguesando até chegar ao Lins, que prosseguiu se alastrando por Pernambuco, Alagoas e Paraíba. Uns subiram margeando o rio Una e foram ter a Água Preta e Palmares, situadas na Mata Sul de Pernambuco em virtude dos acenos da parentela que começara a trocar Cabo, Sirinhaém, Barreiros e Porto Calvo por essas cidades por terem com bom comércio, boas terras para o plantio de canas e uma gente boa e hospitaleira.
Porém, Umbelino Accioly, homem afeito aos trabalhos agrícolas e pastoris, resolveu enveredar pelo comércio e não se adequou à nova atividade. Porém, por mais que ele insistisse, os negócios não avançavam até que adoeceu e veio a falecer na terra que escolhera para viver com a mulher e os filhos. Mesmo diante do inesperado desenlace, Olímpia não se deu por vencida, recorreu a sua máquina de costura e com seu trabalho diuturno gerou meios para sustentar a filharada.
Não foi sem razão que o meu pai colocou em uma das suas filhas o nome de Sonia Olímpia nem também, sem razão, que a minha filha, a Médica Leila, nasceu com acentuados traços de tia Maria no que concerne a inteligência, a beleza, a coragem e a solidariedade aos que chamam por ela ou necessitam dos seus préstimos.
Salustiano, ao que me parece, o mais velho dos irmãos, teve que, ainda muito jovem, arranjar um emprego na Rede Ferroviária Great Western aonde chegou ao ofício de torneiro mecânico, enquanto Benjamim, Hermenegildo e João iam se firmando para enfrentarem às tormentas que não constavam das previsões dos seus pais. E é bom frisar que tudo isso se passou lá pelos idos de 1800, época em que as coisas não eram tão fáceis e os recursos técnicos e científicos precários, quase inexistentes.
A minha avó Maria, a quem chamávamos de Colide, casou-se com Umbelino Victoriano Pereira, nascido na cidade do Porto, em Portugal e trazido ao Brasil ainda nos cueiros por seus pais Miguel Luiz Pereira e Ana Maria Pereira para o Cabo de Santo Agostinho para juntar-se aos parentes que já se dedicavam ao comércio e a agricultura.
Umbelino foi parar no povoado de Campos Frios, município de Água Preta, na divisa de Pernambuco com Alagoas e lá se estabeleceu como comerciante o que fez, também, o seu cunhado Salustiano, não sabendo eu quem primeiro tomou a iniciativa de viver dias felizes na bonança daquela pequena povoação à margem esquerda do rio Jacuípe.
Foi em Campos Frios que a minha avó teve seus filhos que foram se multiplicando até resultar nessa incontável parentela espalhada pelos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Em Alagoas muitos rumaram para Palmeira dos Índios e Santana do Ipanema; em Pernambuco foram chegar a Serra Talhada e terras mais distantes deste amado país.
Salustiano encerrou suas atividades comerciais em Campos Frios com o ensejo de comprar o engenho Ouro Preto, no Município de Colônia Leopoldina, para onde se mudou com sua mulher Cândida de Assis Lins e seu filho José Lins, dando início a criação de gado e ao plantio de canas para fabricação de açúcar e aguardente.
Ao correr dos anos, adquiriu algumas propriedades em volta à sua, chegando a formar um considerável feudo no qual ainda vive seu neto Edson Gomes Lins com os filhos Claudia e Ricardo, ela cultivando flores e ele, com o pai, plantando canas para o fabrico da aguardente que o major Salu começou a destilar desde 1914, ano em que adquiriu o engenho.
João de Barros Lins, que também era conhecido por João Umbelino pela vivência com o meu avô, casou e se tornou agricultor em Alagoas enquanto Benjamim voltou a Palmares onde enfrentou dificuldades sem se deixar abater.
O major Salu cruzou o Jacuípe, mas Umbelino Pereira continuou em Campos Frios com o comércio de padaria, secos e molhados de onde a morte o levou por ter contraído Varíola, uma doença que, naquela época, dizimou muita gente.
Em conseqüência da viuvez sofrida pela minha avó, sua irmã que também se chamava Maria passara a residir em Campina Grande, na Paraíba, depois de ter contraído matrimônio com José Alves de Souza, um homem tão bom e tão solidário quanto ela. Esse homem escutou o apelo de sua estimada mulher e juntos resolveram trazer para perto deles a minha bisavó Olímpia, a minha avó Colide e quem mais elas quisessem levar consigo.
Maria de Barros Alves de Souza
Maria Euclides, uma mulher bastante determinada, se desfez da casa comercial para viver junto à irmã motivada pelo afeto reinante entre as duas. E embarcaram mães, filhas, filhos, genros e cunhadas com destino a Campina Grande, cidade que muito amaram e onde suas descendências se destacarem nas letras e noutras atividades tanto lá como em João Pessoa, a exemplo de sua neta Wilma Wanda e do seu sobrinho Milton Alves de Souza que se tornaram reconhecido pelos paraibanos como poetas e cronistas da terra onde nasceram homens da têmpera de Inácio da Catingueira, Augusto dos Anjos, Ariano Suassuna.
Nem todos os filhos seguiram Olímpia e Colide, pois alguns já desempenhavam tarefas que aquelas altura não davam para largar, a exemplo de meu pai e dos irmãos, Alexandrino, Mário e Antonio de Barros Pereira. Os dois primeiro no comércio e os dois últimos no nobre, porém ingrato ofício da agricultura.
Também ficara tia Auta, irmã da minha avó, por ter casado com André de Holanda Vasconcellos de quem ainda era primo e que havia deixado Barreiros para juntar-se aos que já viviam em Palmares e Campos Frios chegando a comprar um engenho e se radicando em Alagoas. Era um homem inteligente, muito educado e de excelente caráter, como era a sua mulher, a minha tia Auta.
Ainda bem que esses irmãos, os ‘de Barros Pereira’ foram premiados com uma descendência inteligente, bonita e trabalhadora, com muitos dos seus membros se destacando nas áreas de Medicina, Direito, engenharia, Odontologia e demais setores empresariais e artísticos, inclusive nas letras.
Espero não ser enfadonho acrescentar que algumas dessas recordações emanaram da minha memória por fazer parte do meu viver, outras chegaram a mim por meus ancestrais e escorreram pelos meus dedos até chegar à caneta que se encarregou e convertê-las em letras.
Assim sendo, em vista do que vivi e do que me contaram ninguém melhor que o dileto primo Paulo Marcelo Cavalcante Lins para fazer chegar parte dessas linhas, em forma de homenagem, ao seu avô, também meu tio avô, João de Barros Lins a quem minha avó, meu pai e eu devotávamos uma especial estima.
Essa escolha por Marcelo se prendeu a fato de achá-lo merecedor de integrar a minha galeria imaginária composta pelos nomes que apontei como vitoriosos, não somente pela educação que passou aos filhos juntamente com sua mulher Anita Agra Lins mas, também, pelo estímulo para que se qualificassem e se tornassem possuidores do saber que a vida exige para ser enfrentada. E ainda credito a Marcelo a razão de ser um bom filho, um bom marido e um pai de conduta exemplar.
Leila Epaminondas de Barros Pereira
E eu, mesmo convicto dos meus paupérrimos conhecimentos, ousei alinhavar essas palavras, tanto para recordar a minha gente como para dizer do amor que meu pai nutria por ela, especialmente por sua mãe, sua avó, seus tios e todos os que constituíam a família que ele muito estimava.
É bom lembrar que tanto o Cristo de Nazaré como o revolucionário Che Guevara pediam, por onde passavam que as pessoas repartissem os bens acumulados com os necessitados e já que suas pregações chegaram a mim, e que nenhum bem possuo, gostaria de repartir ou estender, seja lá como for, essas recordações.
E que elas fossem destinadas em forma de homenagem aos nossos familiares, com especial destaque ao meu pai por ter me induzido a tolerar alguns parentes abastados, de temperamentos insípidos, que olhavam para mim e para outros pobres como eu, com ares de arrogância e indiferença.
Muitos deles depois mudaram a forma de olhar quando perceberam que nas minhas veias não corria somente o sangue que circulava nas suas. Nas minhas veias correm o sangue de todas as espécies e com predomínio o sangue indígena, o africano e o mouro dos que vieram da Península Ibérica. E chego a pensar que a mistura do sangue desses povos robusteceu a minha maneira de pensar e de lutar, como eles lutaram, pela liberdade que tanto almejamos.
Ensejo não encerrar essas linhas sem lembrar que a foto de minha bisavó Olímpia aqui estampada, foi tirada há mais de 100 anos e ficou guardada por tia Maria, posteriormente, por seu filho Milton; a de tia Maria data de 1930, tendo, portanto, 85 anos, enquanto que a de minha avó Colide foi tirada em 1960, ao lado do Teatro Santa Isabel, em Recife, estando, como ver, com 55 anos e se encontra sob a minha guarda.
Olá meu nome é Marcos Oliveira dos Santos eu tô buscando pelo meu antepassado quer nasceu em Alagoas palmeiras dos índios para coloca mais informações na minha árvore genealógica
ele é meu bisavô nome peregrino de carvalho lins ser casou com ildecy dias lins os pais de Peregrino e joao de barros lins E Ana Ferreira de carvalho gostaria de informações sobre joao de barros lins ser alguém tiver informações mim passa pelo WhatsApp 75998735144